E se começássemos a planejar nossas aulas pensando também nas memórias que queremos construir?
Quando você prepara uma aula, o que costuma vir primeiro à sua mente? Os conteúdos que precisam ser trabalhados? Os objetivos de aprendizagem? As atividades? Os recursos que serão utilizados?
E a memória dos estudantes? Em algum momento ela aparece de forma intencional no seu planejamento?
A proposta aqui é aproximar você de conhecimentos sobre memória e aprendizagem e, principalmente, convidá-lo a pensar sobre como esses conhecimentos podem contribuir para nossas escolhas pedagógicas.
Mas ….que tal começarmos refletindo sobre Memória?
Memória no senso comum
Geralmente memória é associada a arquivo, algo que a gente guarda em um local de nosso cérebro e, quando precisamos, conseguimos acessar sua forma original. Cada informação memorizada permaneceria em sua forma original, fixa.
Se o seu conceito de memória é semelhante a isso, provavelmente você acredita que memorizar significa simplesmente decorar fatos e conteúdos. Pode ser que você também pense que a capacidade de memorizar já nasce com cada pessoa, não sendo uma habilidade que possa ser desenvolvida ao longo da vida.
Se procurarmos memória no campo da Neurociência, veremos que não é bem assim!
O conceito de memória na Neurociência
A memória é compreendida pela Neurociência como um processo neurobiológico complexo e dinâmico, relacionado às modificações que acontecem nas redes neurais durante e depois da aprendizagem. Ela depende da comunicação entre neurônios, envolve diferentes sistemas e é influenciada por fatores como atenção, emoção e significado.
Cada nova experiência pode fortalecer, enfraquecer ou reorganizar conexões entre neurônios. E há algo ainda mais fascinante: quando lembramos, não estamos necessariamente acessando uma cópia perfeita do passado. As memórias podem ser reconstruídas, modificadas e influenciadas por novas experiências, emoções e conhecimentos. Mais ainda, as memórias podem ser esquecidas, dando lugar a novas memórias.
Portanto, esqueça a ideia de memória como sendo um arquivo fixo em um determinado local do cérebro. Na verdade, várias regiões cerebrais estão relacionadas a diferentes tipos de memórias, e temos muitos tipos! Veja abaixo!

E o que tudo isso tem a ver com o planejamento de nossas aulas?
Quando começamos a compreender como a memória funciona, algumas perguntas pedagógicas tornam-se quase inevitáveis:
- O que faz uma informação chamar a atenção de um estudante?
- Como evitar sobrecarregar sua memória de trabalho?
- O que favorece a consolidação de uma aprendizagem?
- Por que algumas experiências escolares permanecem conosco durante décadas enquanto outras desaparecem poucos dias depois de uma avaliação?
- Como criar oportunidades para que os estudantes recuperem e utilizem aquilo que aprenderam?
Essas perguntas ganham ainda mais importância quando pensamos em quem são os estudantes que hoje ocupam nossas salas de aula.
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