Memória, atenção e emoção: três pilares para uma aprendizagem duradoura

O que precisa acontecer para que aquilo que ensinamos hoje permaneça disponível na memória de nossos estudantes por mais tempo?

Com base em conhecimentos da Neurociência e da Psicologia Cognitiva, o Profissão Educador convida professores e demais profissionais da Educação a olhar para o planejamento de aulas para além da pergunta “O que preciso ensinar?”, incorporando uma questão igualmente importante: “O que meus estudantes precisarão fazer cognitivamente para aprender?”

A proposta não é transformar professores em neurocientistas, mas aproximar conhecimentos científicos das decisões que tomamos todos os dias em sala de aula.

Como capturar a atenção sem recorrer apenas à novidade? Como favorecer memórias duradouras sem confundir memorização com “decoreba”? Qual é o papel das emoções nesse processo? E como transformar esses conhecimentos em estratégias concretas de planejamento?

É esse percurso que o Profissão Educador oferece a você!

Três pilares Memória, atenção e emoção
Modelo Planejamento Didático
Intencional
Conhecimento Neurociência e Psicologia
Cognitiva

O Profissão Educador baseia-se em três pilares profundamente relacionados — memória, atenção e emoção, representados pelos três anéis coloridos presentes no logo.

Sabemos que, para que uma informação tenha maior possibilidade de se transformar em conhecimento disponível para uso futuro, é preciso criar condições com as quais o estudante direcione sua atenção ao que é relevante, participe ativamente das etapas do processo de memorização e encontre um ambiente favorável ao equilíbrio emocional que favoreça sua aprendizagem.

Quais são essas condições? Vamos juntos nessa jornada!

Memória

Atenção

Emoção

Memória, atenção e emoção: um convite para olhar de outro jeito para nossas aulas

Se você está diariamente em uma sala de aula, provavelmente já viveu esta situação: você planeja, explica, propõe atividades, retoma o conteúdo e, ainda assim, tem a sensação de que parte daquilo que ensinou simplesmente não permaneceu. Ou percebe seus estudantes dispersos, alternando rapidamente o foco da atenção, demonstrando ansiedade ou dificuldade, e até mesmo resistência para se envolver com aquilo que está sendo proposto. E então surge aquela pergunta que acompanha tantos de nós, educadores: o que mais eu poderia fazer?

Talvez algumas respostas possam surgir quando conhecemos um pouco melhor como nossos estudantes aprendem. A Neurociência e a Psicologia Cognitiva podem nos ajudar nesse caminho ao ampliar nossa compreensão sobre três processos profundamente relacionados à aprendizagem: memória, atenção e emoção.

Quanto mais conhecemos esses processos, mais percebemos que muitas das decisões aparentemente simples que tomamos antes e durante uma aula — como começar um assunto, apresentar uma informação, fazer uma pergunta, propor uma retomada ou oferecer um feedback — podem interferir nas condições que oferecemos para que a aprendizagem aconteça.

E isso nos leva a olhar com um pouco mais de cuidado para algo muito familiar: o nosso planejamento. Com a rotina corrida, sabemos como é tentador recuperar aquele planejamento do ano anterior, reorganizar alguns conteúdos, trocar uma atividade, atualizar os slides e seguir em frente. Afinal, entre aulas, avaliações, reuniões, registros e tantas outras demandas, nem sempre encontramos tempo para repensar profundamente aquilo que já fazemos há anos.

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Mas nossos estudantes mudam e os contextos em que vivem e aprendem também

Hoje, crianças e adolescentes convivem intensamente com celulares, vídeos, jogos, redes sociais, múltiplas telas, acesso imediato à informação e, mais recentemente, ferramentas de Inteligência Artificial.

Essas experiências e hábitos de interação com o mundo digital podem repercutir sobre a maneira como direcionam a atenção, lidam com múltiplos estímulos, buscam informações e se envolvem com as situações de aprendizagem.

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Por tudo isso, mais do que concluir simplesmente que temos estudantes "sem foco, ansiosos e sem postura para aprender", talvez possamos nos perguntar: como estamos planejando nossas aulas para ajudá-los a direcionar e sustentar a atenção, atribuir significado ao que aprendem e se comportar proativamente com o empenho necessário para aprender e construir memórias que possam ser recuperadas posteriormente?

É justamente essa reflexão que o Profissão Educador deseja compartilhar com você. Não se deseja transformar professores em neurocientistas ou especialistas em Psicologia Cognitiva, nem oferecer receitas prontas para uma realidade tão complexa quanto a sala de aula.

Os conteúdos selecionados e elaborados abordarão conhecimentos que podem ajudar você a observar de outro modo aquilo que já faz todos os dias e, a partir deles, tornar suas escolhas pedagógicas cada vez mais intencionais.

Então, antes de seguirmos, deixamos um convite: que tal olharmos juntos para memória, atenção e emoção e descobrirmos o que esses três pilares podem nos ensinar sobre o planejamento das nossas aulas?

Memória

Atenção

Emoção

Olá! Que bom ter você por aqui!

Sou Ana Cristina Camargo de São Pedro, idealizadora e gestora do Profissão Educador. Sou formada em Ciências Biológicas pela USP, mestre em Ciência Ambiental pela mesma universidade e especialista em Neurociência, Educação e Comportamento pela PUC-RS.

Durante quase 30 anos, vivi intensamente o cotidiano das salas de aula da Educação Básica, ensinando Biologia e Biotecnologia. Foi dessa experiência — dos desafios, das inquietações e também das muitas descobertas como professora — que nasceu o desejo de criar um espaço para apoiar outros educadores em suas jornadas.

Depois de me aposentar da sala de aula, aprofundei meus estudos em Neurociência e Psicologia Cognitiva, e passei a investigar uma pergunta que sempre me acompanhou: como podemos planejar nossas aulas para favorecer aprendizagens que permaneçam?

Desse percurso surgiu o Modelo de Planejamento Didático Intencional (MPDI), uma proposta que considera memória, atenção e emoção na escolha e no sequenciamento de atividades e recursos pedagógicos.

Espero que as ideias compartilhadas aqui inspirem você a olhar para o seu planejamento com novas perguntas e possibilidades — sempre pensando na aprendizagem dos nossos estudantes.

Seja muito bem-vindo(a) ao Profissão Educador! É um prazer ter você conosco nessa jornada.

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Patrícia Narvaes

Atuou como professora e orientadora nos projetos de inclusão de tecnologias da comunicação na área da educação pela Escola do Futuro da USP. É praticante de Comunicação Não-Violenta (CNV) desde 2013, onde descobriu o poder de uma escuta profunda e como isso pode afetar a comunicação e melhorar as relações humanas, promovendo conexão e acolhimento. Em 2020, conheceu o Thinking Environment ou “Ambiente para Pensar”, abordagem criada pela Nancy Kline, que permite criar um ambiente de escuta apreciativo, levando as pessoas a removerem bloqueios e praticarem o pensamento independente.
Hoje, Patrícia é Facilitadora de Reuniões e Coach em Thinking Environment, certificada pela Time To Think, além de ser uma das organizadoras do projeto Escuta Viva, onde oferece práticas de escuta, cursos, palestras e atendimentos focados na comunicação e nas relações