O processo de memorização é complexo e ainda popuco conhecido na Neurociência e na Psicologia Cognitiva, mas existem modelos básicos que podem nos ajudar a planejar propostas de aulas e sequências didáticas que potencializem a memorização e a aprendizagem de nossos estudantes.
Um possível modelo de memorização é o da imagem deste post.
Começando pelos estímulos que recebemos tanto de nosso organismo como do meio, podemos captá-los pelos nossos órgãos dos sentidos até certo limite, pois a quantidade de estímulos que chegam até nós é imensa, e o processamento de novas memórias requer alto investimento de energia.
Ao captarmos aqueles estímulos mais relevantes, a nossa memória sensorial reserva os mesmos por alguns milissegundos (memória de curtíssimo prazo), tempo necessário para que o nosso filtro de atenção seleciona qual deles deverá continuar o processo até se formar uma nova memória.
Um ponto muito importante aqui é justamente a atenção. Veremos em um próximo post os tipos de atenção, para que possamos trabalhar melhor o foco dos estudantes em nossas aulas.
Ao chegar em nossa memória de trabalho (ou memória operacional), essa nova informação recebida passa a ser manipulada e conectada com conhecimentos prévios evocados da memória de longo prazo, processo chamado de codificação ou significação da informação. Quanto mais conhecimentos prévios o estudante tiver sobre a nova informação a ser memorizada, mais conexões serão feitas na memória de trabalho. Nesse momento, atividades que estimulem a geração ativa de conteúdos sem consulta a anotações, ou seja, utilizando o que os estudantes já possuem em suas memórias de trabalho, são importantes. Explicar com as próprias palavras, oralmente ou na forma escrita, é um exemplo de atividade que ajuda a cofificar novas informações.
O próximo momento de memorização é a consolidação da informação, onde as conexões neurais se aprofundam por meio de atividades que exigem funções executivas mais complexas como planejamento e raciocínio para a resolução de problemas propostos. Atividades relacionadas a planejamento de apresentações, pinéis, mapas mentais e jogos são exemplos de ações cognitivas que podem ajudar no processo de consolidação.
Táticas de repetição espassada (retomada do conteúdo trabalhado) também são interessantes para a consolidação ser potencializada. Veremos mais detalhadamente o que isso significa em um próximo post.
Feita a consolidação, a imformação passa a ser armazenada na memória de longo prazo. Essa memória possui duração mais longa que a memória sensorial e a memória de trabalho, mas a sua duração pode variar de algumas horas a anos de vida, dependendo do quanto ela será evocada e utilizada.
Basicamente, esse modelo nos permite verificar que, ao longo do processo de memorização, algumas ações específicas podem ajudar o processo a ser mais eficaz, gerando memórias de melhor qualidade e duração.
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