A memória de trabalho, ou memória operacional, relaciona-se a nossa capacidade de reter e manipular mentalmente e de forma consciente uma quantidade limitada de informações durante curtos períodos (Baddelley; Hith, 1974 apud Martín, 2024, p. 101).
Existem várias tarefas que fazemos diariamente utilizando nossa memória de trabalho: memorizar um número de telefone, e-mail ou endereço até conseguirmos anotar em um papel, lembrar uma pergunta enquanto elaboramos sua resposta, seguir uma sequência de instruções que nos dizem em voz alta ou analisar dados de gráficos em um livro (Martín, 2024, p. 102).
Ela é a função cognitiva que lida com aquelas informações às quais estamos prestando atenção em um dado momento. Essas informações podem ser originadas externamente ou podem ser obtidas de nossa memória de longo prazo.
A memória de trabalho é limitada pela nossa capacidade de permanecermos atentos às informações nela contidas a cada instante, por meio de repetições. Qualquer distração pode resultar em perda de informações armazenadas.
Martín (2024) argumenta que a memória de trabalho desempenha um papel crucial na percepção, especialmente na maneira como percebemos e interpretamos estímulos do ambiente, pois funciona como um sistema de armazenamento temporário que nos permite reter e manipular informações por curtos períodos, facilitando a integração dessas informações com conhecimentos já armazenados em nossa memória de longo prazo. Isso é essencial para dar sentido ao que percebemos, pois nos permite comparar o que estamos vendo ou ouvindo com experiências passadas e contextos conhecidos.
Martin (2024) também destaca que a capacidade limitada da memória de trabalho influencia diretamente a quantidade e a qualidade das informações que podemos processar de uma só vez. Quando a memória de trabalho está sobrecarregada, nossa percepção pode se tornar menos precisa, e podemos cometer erros ao interpretar os estímulos, ou até mesmo não perceber certos detalhes importantes.
Martín (2024) sugere que a interação entre percepção e memória de trabalho é um processo dinâmico que pode ser aprimorado com práticas educativas que visam fortalecer a capacidade de retenção e processamento de informações, ajudando os estudantes a desenvolverem uma percepção mais precisa e contextualizada do mundo ao seu redor.
Atividades perceptuais colaborativas, como debates em grupo e análise de casos práticos, incentivam os estudantes a processar e integrar informações rapidamente, melhorando sua percepção e compreensão contextual. Essas práticas não apenas reforçam a memória de trabalho, mas também ajudam a desenvolver uma percepção mais apurada e contextualizada do mundo ao redor. Atividades perceptuais que conduzam a essas práticas podem ser recursos eficazes no treinamento da percepção.
Importância de aprimorar a memória de trabalho
Diversas pesquisas apresentadas por Goldstein (2022) sugerem que ao melhorar e aprimorar a memória de trabalho, existem impactos positivos no desempenho acadêmico, na compreensão de leituras, na criatividade e na capacidade de gerenciar emoções.
Assim, promover o treinamento da memória de trabalho por meio de atividades estruturadas pode não apenas aprimorar a percepção dos estudantes, mas também prepará-los para uma aprendizagem mais eficaz e significativa em diferentes contextos. Como afirmam tanto Martín quanto Goldstein, o investimento no aprimoramento da memória de trabalho traz benefícios amplos e contribui para um desenvolvimento cognitivo mais robusto, essencial para a formação integral dos alunos.
Referências:
- GOLDSTEIN, E. Bruce – Psicologia Cognitiva : conectando a mente, pesquisas e experiências cotidianas/ E. Bruce Goldstein ; tradução Edson Furmankewicz ; revisão técnica Marcelo Fernandes Costa. — São Paulo : Cengage Learning, 2022.
- MARTÍN, Héctor Ruiz – Como aprendemos? Uma abordagem científica da aprendizagem e do ensino. Tradução Luciana Alves Schein. 3o Edição. Editora Penso, Porto Alegre, 2024.
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