Percepção e atenção: habilidades que devem ser trabalhadas juntas na memorização
A percepção organiza e interpreta as informações sensoriais, transformando-as em experiências significativas. É uma construção ativa, influenciada pelas experiências anteriores, pelas expectativas, pelos conhecimentos prévios e pelo contexto. Por isso, uma mesma situação pode ser percebida de maneiras diferentes pelos estudantes (Cosenza, 2011; Goldstein, 2022). Conhecimentos consolidados e interconectados também podem ampliar a capacidade de perceber aspectos relevantes de uma situação (Martín, 2024).
A atenção seleciona informações relevantes e direciona o foco, ajudando a filtrar distrações e a manter o envolvimento na atividade. Percepção e atenção interagem: a interpretação dos estímulos contribui para orientar o foco, enquanto a atenção favorece o processamento de determinados aspectos daquilo que percebemos (Cosenza, 2011; Goldstein, 2022).
Trabalhá-las juntas ajuda o estudante a identificar o essencial e relacionar novos conteúdos ao que já conhece, favorecendo a codificação de novas memórias.
No planejamento didático, isso implica oferecer oportunidades para observar, interpretar, comparar e construir relações, com orientações claras sobre a que dedicar atenção.
Como sugestões práticas de aplicação, o professor pode propor:
Observar com um objetivo: apresentar uma imagem, objeto ou experimento e orientar: “Observe os detalhes que ajudam a explicar este fenômeno”.
Comparar e distinguir: solicitar semelhanças e diferenças entre imagens, gráficos, textos ou situações, pedindo que os estudantes justifiquem suas escolhas.
Escutar e selecionar: após uma explicação breve, pedir que registrem as ideias principais e expliquem por que as consideraram relevantes.
Relacionar ao que já conhecem: perguntar: “Com qual conhecimento ou experiência você consegue conectar essa informação?”.
Compartilhar diferentes percepções: propor que duplas comparem o que perceberam em um mesmo material e retornem a ele para conferir suas interpretações.
Evocar e conferir: retirar o material, solicitar que recordem os pontos essenciais e depois permitir a consulta para complementar ou corrigir o registro.
Refletir sobre o próprio foco: perguntar: “O que chamou minha atenção? O que passou despercebido? O que me ajudou a compreender e lembrar?”.
As atividades devem ter objetivos claros, duração adequada à turma e recursos acessíveis. Mais do que oferecer muitos estímulos, é importante orientar o que observar, como interpretar e a que dedicar atenção. As sugestões acima são propostas de aplicação pedagógica dos conceitos apresentados, e não atividades transcritas das obras citadas.
Referências citadas no texto-base:
- COSENZA, Ramon M. – Neurociência e Educação : como o cérebro aprende/ Ramon M. Cosenza, Leonor B. Guerra. – Porto Alegre : Artmed, 2011.
- DWECK,Carol S. Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso. São Paulo: Objetiva, 2017.
- GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: A Teoria Revolucionária que Redefine o que é Ser Inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.
- GOLDSTEIN, E. Bruce – Psicologia Cognitiva : conectando a mente, pesquisas e experiências cotidianas/ E. Bruce Goldstein ; tradução Edson Furmankewicz ; revisão técnica Marcelo Fernandes Costa. — São Paulo : Cengage Learning, 2022.
- HARI, Johann – Foco roubado : os ladrões da atenção da vida moderna / Johann Hari, tradução Luis Reues Gil. — São Paulo : Vestígio, 2023.
- MARTÍN, Héctor Ruiz – Como aprendemos? Uma abordagem científica da aprendizagem e do ensino. Tradução Luciana Alves Schein. 3o Edição. Editora Penso, Porto Alegre, 2024.
Profissão Educador: para quem ama ensinar e aprender sempre!