Chat-GPT na Educação?

O ChatGPT chegou à Educação trazendo possibilidades, dúvidas e novos desafios. Entenda como educadores podem explorar a inteligência artificial de forma crítica, ética e consciente, sem abrir mão de sua autoria e do papel essencial do professor.

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O ChatGPT está dando o que falar entre educadores. E você, o que acha?

A chegada dessa ferramenta de Inteligência Artificial ao ambiente educacional desperta diferentes reações: surpresa, curiosidade, angústia, medo e resistência.

Diante de uma tecnologia como essa, talvez um dos primeiros caminhos seja justamente conhecer, testar e compreender suas possibilidades, limitações e riscos antes de decidir como utilizá-la na Educação.

Um novo olhar sobre a ferramenta

Veja o depoimento de uma de nossas colaboradoras, Girlene Lopez Sismotto, que atua há mais de 25 anos na educação privada:

“Confesso que inicialmente achei uma ferramenta ‘perigosa’, pensando exclusivamente na questão do plágio, de não poder identificar uma autoria. No entanto, fui percebendo que pode sim ser usada a favor dos professores, fornecendo possibilidades de informações e caminhos de raciocínio diferentes dos nossos. Olhar sob essa perspectiva é bem interessante e desafiador. Você, professor, sempre será o autor da sua própria narrativa.”

O depoimento traz uma questão importante: a tecnologia não precisa substituir a autoria do educador.

Ela pode ser utilizada como ferramenta de apoio, desde que seu uso seja acompanhado de conhecimento, análise crítica e intencionalidade.

E o risco de plágio?

Um dos maiores receios dos educadores em relação ao ChatGPT é a possibilidade de estudantes utilizarem a ferramenta para produzir trabalhos sem desenvolver, de fato, o próprio conhecimento.

Mas o problema do plágio não surgiu com a Inteligência Artificial.

Por isso, além de conhecer essas novas ferramentas, existe também um trabalho educacional importante: ajudar o estudante a compreender por que desenvolver o próprio pensamento é parte fundamental da aprendizagem.

Ao simplesmente reproduzir um conteúdo sem reflexão, o estudante deixa de exercitar habilidades importantes, como pensamento crítico, argumentação, interpretação e construção de conhecimento.

A discussão, portanto, pode ir além de simplesmente permitir ou proibir o uso da IA.

Como o ChatGPT pode ajudar o educador?

Para professores, ferramentas de Inteligência Artificial podem apoiar algumas atividades do cotidiano e contribuir para a otimização do tempo.

Entre as possibilidades estão o auxílio na elaboração de:

  • rubricas e critérios de avaliação;

  • ideias para atividades;

  • estruturas de relatórios;

  • apresentações;

  • materiais de apoio;

  • sugestões iniciais para planejamento.

Isso, porém, não significa aceitar automaticamente tudo o que a ferramenta apresenta.

Para utilizá-la de maneira adequada, o educador precisa saber o que deseja obter, formular boas perguntas e, principalmente, avaliar criticamente as respostas recebidas.

O conhecimento do professor continua sendo indispensável para identificar erros, limitações, inadequações e informações que precisam ser verificadas.

Cuidado com o nosso modelo mental

Nossa reação diante de novas tecnologias nem sempre é de abertura.

É comum existir resistência inicial, principalmente quando acreditamos que uma nova ferramenta representará mais trabalho em vez de benefícios.

E existe um contexto que ajuda a explicar essa percepção.

Durante a pandemia, professores precisaram adaptar rapidamente suas práticas e passaram a depender intensamente de recursos tecnológicos para continuar ensinando. Para muitos profissionais, esse período significou aumento de demandas e grande desgaste.

Por isso, a resistência diante de mais uma transformação tecnológica é compreensível.

Mas existe outra possibilidade:

A Inteligência Artificial também pode ser utilizada para economizar tempo e apoiar determinadas tarefas do educador.

O mais importante é compreender quando, como e por que utilizá-la.

IA e Educação: uma conversa que está apenas começando

A presença da Inteligência Artificial na Educação levanta questões importantes sobre autoria, aprendizagem, avaliação, ética e o próprio papel do professor.

Não precisamos enxergar essas ferramentas apenas como solução para todos os problemas nem como uma ameaça que precisa ser rejeitada.

Precisamos conhecê-las para fazer escolhas conscientes.

E essa discussão não termina aqui.

Como você enxerga o uso do ChatGPT na Educação? Já utilizou alguma ferramenta de IA em sua prática profissional?

Compartilhe sua experiência, opinião, sugestões e críticas. O diálogo também faz parte da construção do conhecimento.

Para saber mais

O artigo original indicava como leitura complementar um conteúdo do portal Mundo Conectado sobre o funcionamento e o uso do ChatGPT.

Profissão Educador: para quem ama ensinar e aprender sempre!

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Patrícia Narvaes

Atuou como professora e orientadora nos projetos de inclusão de tecnologias da comunicação na área da educação pela Escola do Futuro da USP. É praticante de Comunicação Não-Violenta (CNV) desde 2013, onde descobriu o poder de uma escuta profunda e como isso pode afetar a comunicação e melhorar as relações humanas, promovendo conexão e acolhimento. Em 2020, conheceu o Thinking Environment ou “Ambiente para Pensar”, abordagem criada pela Nancy Kline, que permite criar um ambiente de escuta apreciativo, levando as pessoas a removerem bloqueios e praticarem o pensamento independente.
Hoje, Patrícia é Facilitadora de Reuniões e Coach em Thinking Environment, certificada pela Time To Think, além de ser uma das organizadoras do projeto Escuta Viva, onde oferece práticas de escuta, cursos, palestras e atendimentos focados na comunicação e nas relações