Sabemos que, para que uma informação tenha maior possibilidade de se transformar em conhecimento disponível para uso futuro, é preciso criar condições com as quais o estudante direcione sua atenção ao que é relevante, participe ativamente das etapas do processo de memorização e encontre um ambiente favorável ao equilíbrio emocional que favoreça sua aprendizagem.
Quais são essas condições? Vamos juntos nessa jornada!
Se você está diariamente em uma sala de aula, provavelmente já viveu esta situação: você planeja, explica, propõe atividades, retoma o conteúdo e, ainda assim, tem a sensação de que parte daquilo que ensinou simplesmente não permaneceu. Ou percebe seus estudantes dispersos, alternando rapidamente o foco da atenção, demonstrando ansiedade ou dificuldade, e até mesmo resistência para se envolver com aquilo que está sendo proposto. E então surge aquela pergunta que acompanha tantos de nós, educadores: o que mais eu poderia fazer?
Talvez algumas respostas possam surgir quando conhecemos um pouco melhor como nossos estudantes aprendem. A Neurociência e a Psicologia Cognitiva podem nos ajudar nesse caminho ao ampliar nossa compreensão sobre três processos profundamente relacionados à aprendizagem: memória, atenção e emoção.
Quanto mais conhecemos esses processos, mais percebemos que muitas das decisões aparentemente simples que tomamos antes e durante uma aula — como começar um assunto, apresentar uma informação, fazer uma pergunta, propor uma retomada ou oferecer um feedback — podem interferir nas condições que oferecemos para que a aprendizagem aconteça.
E isso nos leva a olhar com um pouco mais de cuidado para algo muito familiar: o nosso planejamento. Com a rotina corrida, sabemos como é tentador recuperar aquele planejamento do ano anterior, reorganizar alguns conteúdos, trocar uma atividade, atualizar os slides e seguir em frente. Afinal, entre aulas, avaliações, reuniões, registros e tantas outras demandas, nem sempre encontramos tempo para repensar profundamente aquilo que já fazemos há anos.
Hoje, crianças e adolescentes convivem intensamente com celulares, vídeos, jogos, redes sociais, múltiplas telas, acesso imediato à informação e, mais recentemente, ferramentas de Inteligência Artificial.
Essas experiências e hábitos de interação com o mundo digital podem repercutir sobre a maneira como direcionam a atenção, lidam com múltiplos estímulos, buscam informações e se envolvem com as situações de aprendizagem.
Por tudo isso, mais do que concluir simplesmente que temos estudantes "sem foco, ansiosos e sem postura para aprender", talvez possamos nos perguntar: como estamos planejando nossas aulas para ajudá-los a direcionar e sustentar a atenção, atribuir significado ao que aprendem e se comportar proativamente com o empenho necessário para aprender e construir memórias que possam ser recuperadas posteriormente?
É justamente essa reflexão que o Profissão Educador deseja compartilhar com você. Não se deseja transformar professores em neurocientistas ou especialistas em Psicologia Cognitiva, nem oferecer receitas prontas para uma realidade tão complexa quanto a sala de aula.
Os conteúdos selecionados e elaborados abordarão conhecimentos que podem ajudar você a observar de outro modo aquilo que já faz todos os dias e, a partir deles, tornar suas escolhas pedagógicas cada vez mais intencionais.
Então, antes de seguirmos, deixamos um convite: que tal olharmos juntos para memória, atenção e emoção e descobrirmos o que esses três pilares podem nos ensinar sobre o planejamento das nossas aulas?
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Patrícia Narvaes
Atuou como professora e orientadora nos projetos de inclusão de tecnologias da comunicação na área da educação pela Escola do Futuro da USP. É praticante de Comunicação Não-Violenta (CNV) desde 2013, onde descobriu o poder de uma escuta profunda e como isso pode afetar a comunicação e melhorar as relações humanas, promovendo conexão e acolhimento. Em 2020, conheceu o Thinking Environment ou “Ambiente para Pensar”, abordagem criada pela Nancy Kline, que permite criar um ambiente de escuta apreciativo, levando as pessoas a removerem bloqueios e praticarem o pensamento independente.
Hoje, Patrícia é Facilitadora de Reuniões e Coach em Thinking Environment, certificada pela Time To Think, além de ser uma das organizadoras do projeto Escuta Viva, onde oferece práticas de escuta, cursos, palestras e atendimentos focados na comunicação e nas relações